O Mês Vocacional há 41 anos propõe, exalta e celebra as principais vocações por meio das quais os cristãos são chamados a viver a santidade. O tema do Mês Vocacional proposto pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para o ano de 2021 é “Cristo nos salva e nos envia”. Ele é extraído da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Christus Vivit, dentro do projeto do Serviço de Animação Vocacional (ChV 118-123). O lema para o período é “Quem escuta a minha palavra possui a vida eterna” (cf. Jo 5,24). 

 

Há, inclusive, uma busca de continuidade na reflexão da Christus Vivit tendo em vista que em 2020 o tema “Deus te ama” era também extraído dela, e para o ano de 2022, o tema, já previsto, “Ele vive!”, é igualmente extraído dela. O Santo Padre explica: “Nestas três verdades (Deus ama-te, Cristo é o teu salvador, Ele vive), aparece Deus Pai e aparece Jesus. Mas, onde estão o Pai e Jesus Cristo, também está o Espírito Santo.

 

É Ele que prepara e abre os corações para receberem este anúncio, é Ele que mantém viva esta experiência de salvação, é Ele que te ajudará a crescer nesta alegria se O deixares agir. O Espírito Santo enche o coração de Cristo ressuscitado e de lá, como duma fonte, derrama-Se na tua vida. E quando O recebes, o Espírito Santo faz-te entrar cada vez mais no coração de Cristo, para que te enchas sempre mais com o seu amor, a sua luz e a sua força” (ChV 130).

 

De 8 a 14 de agosto foi celebrada a Semana Nacional da Família. Com a escolha do tema “Alegria do amor na família“, a intenção é celebrar o Ano Família Amoris Laetitia, iniciado no dia de São José (19 de março), convocado com o objetivo de marcar os cinco anos da exortação apostólica do Papa Francisco, fruto de dois sínodos sobre a família. 

 

Na abertura, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Walmor de Oliveira Azevedo, esclareceu e exaltou o papel da família na evangelização: “A família é prioridade no caminho missionário e na vida da Igreja”. 

Destacou algumas características que educam para a vida cristã: “Lá aprendemos que é bom servir e experimentamos a alegria de poder fazer o bem ao próximo. Esses aprendizados, que são permanentes quando bem vividos no ambiente familiar, repercutem na vida em sociedade. A família tem uma nobre missão: ser o lugar onde primeiro se experimenta essa verdade cristã. A vida ganha sentido quando se torna oferta”. 

 

Além disso, falou sobre a verdadeira alegria e autenticidade que acontece na família, como escola de uma vida feliz e doada: em poucas palavras mostrou como a família é a melhor escola de humanidade que existe.

 

Dom Ricardo Hoepers, bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão Vida e Família da CNBB, destacou a grande oportunidade que a Semana da Família representa: “É um tempo favorável, um tempo de graça! (…) Que todos nós possamos nos congregar unidos na promoção, na defesa, no cuidado com as nossas famílias e com a vida”.

 

A proposta feita pelo Papa Francisco com a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia à Igreja é abrangente e profunda. Tem mesmo o desejo de uma verdadeira reviravolta no trabalho pastoral da Igreja com a FAMÍLIA e fazer com que ela entenda cada vez mais a sua VOCAÇÃO. 

 

Não quer apenas promover encontros, congressos, estudos, etc. Quer sim que seja colocado em evidência o discipulado de Jesus Cristo. Qualquer problema pastoral se resolve quando conseguimos colocar este objetivo à frente. Quando somos discípulos autênticos, tudo na vida, também os pecados e problemas, passam a ser analisados a partir dele. 

 

A proposta de Amoris Laetitia não é analisar as coisas a partir de leis, preceitos, dogmas ou uma lista de pecados, mas sim de um autêntico seguimento de Nosso Senhor. Por isso, o conhecimento da Palavra, a oração, a vida de comunidade, a direção espiritual, etc. Tudo isto é, na realidade, um confronto da nossa vida com o Senhor e ali reside a salvação porque Deus é misericordioso. Qualquer vocação cristã tem a necessidade de um discipulado realista e autêntico.

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo de Londrina

 

Artigo publicado na Revista Comunidade edição agosto 2021
Foto destaque: divulgação